terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobre o preconceito



Salve, meus irmãos!


Nossa luta a favor da nossa amada Umbanda continua, sempre.



Recebi esse texto da minha amada e futura afilhada Solange, em resposta à matéria "Carta aberta ao preconceito". Divido agora com vocês.




Que nosso Pai Oxalá abençoe a todos




Luzes e Sonhos,




Eu li a sua resposta para a senhora evangélica no seu blog. Você foi muito elegante na resposta, isso é muito bom, pois demonstra como nós, umbandistas, lidamos com o preconceito.



Eu já passei por uma fase em que a indignação me fazia agir de forma enérgica, eu demonstrava a minha indignação com argumentos lógicos, esforçava-me para ser compreendida...



As fases mudam, hoje a minha postura frente ao preconceito religioso mudou.



Enfrento com a mesma energia e indignação o preconceito racial, de origem, de gênero, de classe social e etc., pois levanto bandeira contra o preconceito e a discriminação tanto na minha vida pessoal como profissional, mas não lido mais da mesma forma com o preconceito religioso.



A minha indignação frente ao preconceito não mudou e não mudará, mas eu percebi que em relação à questão espiritual há uma questão a ser considerada, ou seja, a evolução espiritual do preconceituoso e a necessidade que ele tem de aprendizado.



Com isso eu quero dizer que, na maioria das vezes, o preconceituoso não tem condições espirituais de entender o verdadeiro significado da religião e o nosso esforço em tentar esclarecer pode ser “pérolas jogadas aos porcos”.



O papel da religião na vida humana é a ligação com o sagrado (o vocábulo religião deriva do verbo religare e significa ligação com Deus, com os deuses, em fim, com o Divino).



Praticamos uma religião para nos ligarmos com o Sagrado. Cada um busca a religião, o culto, os ensinamentos, os rituais que melhor lhe propicia a ligação com o sagrado.



Alguns necessitam de rituais que permitem o contato com energias mais densas ou primitivas, outros necessitam da pratica da meditação e assim cada um encontra o seu caminho e o seu caminhar para a aproximação com Deus.



Estamos sempre onde devemos estar, quando fechamos um ciclo precisamos iniciar outros, quando aprendemos tudo o que uma escola pode nos oferecer devemos procurar outra, de modo que podemos mudar também de religião à medida que aprendemos tudo o que seria necessário à nossa experiência numa determinada religião e sentimos uma necessidade de um novo caminho, uma nova experiência de ligação com Deus.



Procuramos essa ou aquela religião de acordo com o que necessitamos aprender.



Cada religião, cada caminho, está adequado a um aprendizado, adequado a uma necessidade.



Algumas pessoas estão preparadas para conhecimentos mais aprofundados, outras precisam aprender o “B-A-BA” espiritual, não estamos todos no mesmo nível de evolução espiritual.



Algumas pessoas, para seu crescimento espiritual, precisa que uma autoridade religiosa lhe diga o que é certo, o que é errado, que roupa deve vestir, como conduzir a própria vida.



Isso pode parecer absurdo aos olhos de outras pessoas, inclusive aos nossos olhos, mas não é absurdo, pois essas pessoas precisam que alguém lhes comande a vida, pois ainda não aprenderam a fazer escolhas, não aprenderam a discernir sobre religião, sobre livre arbítrio, sobre responsabilidade e karma.



Então, além de cômodo e confortável, o “líder” espiritual e sua “ingerência” na vida dos fieis servirão de uma espécie de freio moral, evitando que essas pessoas, os fiéis, caiam em mais dívidas espirituais, que aumentem o carma negativo.



Essas pessoas poderiam estar em situações muito piores se não estivessem “protegidas” pelas correntes religiosas.



Eu não me permitiria viver acorrentada a uma religião, acorrentada a uma visão preconceituosa, acorrentada a dogmas sem sentido e impedida de conhecer outras verdades, outros caminhos. Por isso, estou na Umbanda, buscando aprendizado espiritual, crescimento, evolução espiritual.



Mas, todas as pessoas têm condições de viver a sua espiritualidade com tamanha liberdade?



Todos têm condições de compreender que a lei de retorno é inviolável?



Que as escolhas são mesmo livres, mas as consequências são certas, ou seja, todos entendem a severidade da “lei da semeadura”?



Certamente não.



Nem todos têm condições de compreender as lições de amor deixadas pelo Mestre Jesus, poucas pessoas entendem que amor implica em respeito, em não julgamento, em tolerância, então precisam ser controladas por palavras, às vezes por medo (medo das punições de Deus, medo de serem condenadas ao inferno,etc.), controladas por lideres manipuladores que visam somente poder e dinheiro... Isso é ruim, não, isso faz parte das leis Divinas.



Cada um está onde deveria estar, não existe acaso no Universo.



Então, como tento lidar com o preconceito?



Tendo aplicar os meus conhecimentos espirituais, ou seja, na Umbanda e na minha caminhada até chegar nela, aprendi que não devo julgar, então tento ser tolerante; aprendi que “os sãos não precisam de médico”, então nossa tarefa é também de esclarecimento (como você fez na sua resposta); aprendi que é impossível uma criança entender um adulto, mas todo adulto já foi criança e pode mais facilmente compreendê-la; aprendi que devemos ter compaixão com os necessitados, então tento ter compaixão com os que necessitam esclarecimento, evolução espiritual.



Na verdade, não existe religião boa ou má, existe religião que nos serve (tem o que nos oferecer) e religião que não nos serve (não tem o que nos ensinar de bom). Ou, falando diferente, boa é a religião que nos aproxima de Deus, das pessoas e nos faz melhores a cada dia. Má é a religião que não nos aproxima de Deus, pois nos afasta das pessoas por julgá-las, por não nos esclarecer sobre as verdades espirituais.



Uma pessoa com visão como a da senhora que manifestou tanta ignorância em relação à Umbanda nesse blog é uma pessoa necessitada de muito esclarecimento.



Como tratamos os espíritos necessitados de luz e esclarecimento nas sessões de desobsessão? Nós oferecemos ajuda, esclarecimentos e vibrações de amor.



Assim, Luzes e Sonhos, vamos vibrar amorosamente para essa irmã e pedir aos Guias que a orientem.


Mas, o mais importante, vamos agradecer ao Pai (seja Olorum ou Zambi o nome que utilizaremos), aos Orixás e nossos Guias e Guardiões por terem nos conduzido a Umbanda onde podemos nos ligarmos ao sagrado com liberdade, sem preconceitos e comprometidos única e tão somente com a nossa evolução e com a prática da caridade.



Salve a Sagrada Umbanda!



Bjs, Sol

4 comentários:

Little Girl disse...

Nossa... quanta clareza, elegância e verdade! São essas práticas que me fazem querer conhecer a Umbanda! ;)

Vanessa disse...

Simplesmente lindo!
parabéns Sol por sua postura!
beijos

Lucas de Sousa disse...

Por isso tudo, repito essas palvras: "Deus é amor. Aquele que vive no amor vive unido com Deus, e Deus vive unido com ele".

Saravá, irmãos!

Telma disse...

Sem palavras, ou melhor, disse tudo.

Oxalá continue nos guiando neste aprendizado.

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